Treinamento físico na altitude.

20090730_122645_g (1)Nas aulas de Geografia e Biologia, aprendemos o quão desconfortável é para um organismo permanecer em lugares mais altos em relação ao nível do mar. De repente, sai uma notícia na imprensa que um determinado maratonista foi treinar na altitude, não entendemos o porquê dele ter escolhido um local de 2000m acima do nível do mar para iniciar a preparação. Abaixo, explicaremos os efeitos de um treinamento físico na altitude em curto e em longo prazo.

Quando corremos ao nível do mar (altitude 0m), a Pressão de Oxigênio no ambiente é alta e conseguimos transportar o gás Oxigênio aos tecidos com muita facilidade, nos passando a sensação de que está tudo sob controle e o rendimento no treinamento de Resistência Aeróbia está ótimo. À medida que “subimos a serra” e encontramos altitudes acima do nível do mar, esta Pressão de Oxigênio passa a diminuir e o transporte deste gás começa a não ser tão eficiente como na nossa corrida na orla.

Quando chegamos a 2.000m de altitude, sentimos que esta queda da Pressão de Oxigênio passa a causar danos momentâneos ao transporte de oxigênio ao nosso organismo, onde é comum apresentar Hiperventilação (aumenta a quantidade de inspirações de oxigênio e expirações de gás carbônico por minuto), aumento da acidose do sangue (quanto mais ácido o sangue, maior o cansaço do organismo), da Frequência Cardíaca e do Débito Cardíaco (volume de sangue bombeado pelo coração por minuto) e começamos a sentir tonturas, cefaleia, náuseas, vômitos e desconforto pulmonar.

Podemos dizer que atletas de atividades de curta duração (que não necessita do Oxigênio para a realização do metabolismo) não sentem a queda de performance em locais mais altos. O que pode afetar o rendimento destes atletas que dependem principalmente de Potência Muscular (que é a multiplicação da Força pela Velocidade) são os fatores externos como o ar rarefeito, que diminui a resistência do ar e melhora o rendimento deles. Com isso, podemos dizer que os corredores de longas distâncias, por depender muito do Oxigênio, têm o rendimento piorado quando exposto à altitude.

Por outro lado, não podemos considerar a altitude sempre como “vilã” para os corredores de longas distâncias, pois, em longo prazo (entre 16 e 21 dias), o organismo começa a se aclimatizar a um local mais alto em relação ao nível do mar com um aumento da quantidade e da qualidade das funções dos glóbulos vermelhos (que passam a transportar mais oxigênio aos tecidos), as mitocôndrias se tornam mais densas (melhorando assim a respiração celular), melhoram o desempenho das enzimas aeróbias musculares (acelerando as reações químicas nos músculos) e, por consequência destas melhorias, faz o corredor perder peso corporal.

Após estes 16 a 20 dias em locais acima de 2.000m de altitude e adaptado às condições que estes locais proporcionaram, o corredor volta ao seu local de treinamento e/ou ao local da competição e desempenha um rendimento superior ao que vinha apresentando antes de ir para locais de altitudes elevadas.

Embora desconfortável inicialmente, os treinamentos na altitude auxiliam muito o desempenho do corredor em longo prazo, desde que ele e o seu treinador saibam como e o que treinar nestes locais. Caso algum treino seja feito equivocadamente (ex: fazer “tiros” logo que chegou ao local mais alto em relação ao nível do mar), tenho certeza que eles jogarão fora uns 3 ou 4 dias de treinos posteriores a este que foi feito. Por isso, a importância de um bom planejamento para a preparação dos treinos em altitude.

FONTE: http://www.runninnews.com.br

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